jun 22

Se está lhe sobrando tempo demais, a ponto de você conhecer uma das piores coisas da vida – o tédio – pense nas possibilidades de ocupação:

- Explorar as aptidões com que você nasceu ou aquelas que você adquiriu e que poderiam se desenvolver.

- Fazer de algumas das suas aptidões um meio de trabalho regular, remunerado.

- Aplicar sua bondade em servir tantos que dela precisam.

- Em vez de comprar todas as coisas de que você e sua família precisam – fazê-las você mesma.

*Publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares, no dia 17 de janeiro de 1961. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

jun 1

  Para sua insônia, Margarida, experimente essa receita simplíssima, de um grande médico americano. Não serve só para a insônia completa: serve também para quem tem “sono raso”, daqueles que somem ao menor ruído. Ou para sono agitado, com tendências a pesadelos. A “mistura” você deve tomar já na cama, já deitada, já confortável: bata 2 colheres (das de café) de melado numa xícara de leite bem quente. É só isso? Só isso. Mas ajuda mesmo.

  Quanto ao peso, Clara, explicarei de um modo geral o seguinte: o peso que você tem aos 30 anos não deve mais variar, até o fim da vida. Entre vinte e trinta anos, é permitido engordar de 1 a 3 quilos, mais ou menos. Agora, não se esqueça do seguinte: arriscar a saúde, e também a juventude, para emagrecer, é um preço elevado demais. Seja sensata.

*Publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares, no dia 27 de julho de 1960. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

 

mai 10

  A questão toda está aí: você devia imitar você mesma. O que quer dizer: seu trabalho é descobrir no próprio rosto a mulher que seria se fosse mais atraente, mais pessoal, mais inconfundível. Quando você “cria” seu rosto, tendo como base você mesma, sua alegria é de descoberta, de desabrochamento.

*Publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

mar 29

  Podem ser esquisitos mas dão certo… Imagine que é perfeitamente possível engomar anáguas aproveitando… a água em que foi cozido o macarrão. Também dá certo usar o mesmo líquido em tecidos mais leves: basta acrescentar mais água.

  Outra coisa bem esquisitinha é o modo de limpar faca enferrujada: basta fincá-la… numa cebola, lavando-a em seguida com sapóleo.

  E se você nunca pensou nisso, vai estranhar: fubá de milho tira mancha de mofo. Ferva a roupa mofada num pouco d’água com duas colheres de fubá, e deixe quarar um pouco.

  No domínio, ainda do estranho: esfregue as mãos manchadas de cera com sal de cozinha e sabão.

*Publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares, no dia 31 de janeiro de 1961. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

mar 8

  Já é clássico dizer que um dos modos de conseguir a admiração de um homem é saber cozinhar. Parece até o ditado sobre peixe que morre pela boca.

  Um bom jantar serve de isca? É o que dizem. E é certo que um marido fica realmente agradecido – mesmo que não o diga – quando sua mulher recebe bem as pessoas que ele convida. Para completar esse “recebe bem”, você poderia aprender a preparar algum coquetel. Será uma surpresa para ele, e motivo de admiração: mulher que também sabe preparar um coquetel sabe realmente receber. Vou dar a você algumas receitas famosas:

 

- Coquetel Presidente – Misture numa coqueteleira uma parte de rum, outra de vermute seco, e umas gotas de grenadina. Gelo picado e algumas lascas de casca de laranja

  – Coquetel Bamboo – Um terço de vermute italiano, dois terços de jerez seco e umas gotas de orange bitter.

  – Four Dollar Cocktail – Uma terça parte de rum, uma terça parte de vermute seco, uma terça parte de vermute doce. Gelo picado. Agite bem.

  – Daiquiri – Uma colherada de açúcar, 1 cálice de rum, suco de 1/2 limão. Agite bem com gelo picado.

  – Satanás – Uma parte de vermute italiano (doce); uma parte de vermute francês (seco), uma parte de gim; uma parte de sumo de laranja; 1/2 parte de licor de laranjas amargas; umas 10 gotas de bitter. Muito gelo picado. Bata bem.

 E um conselho: enquanto estiver preparando, evite de provar a todo instante. Provar muito uma bebida não é como provar comida; o resultado se torna visível quase que imediatamente.

*Texto publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares, no dia 30 de junho de 1960. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

fev 16

  Nunca ouvi esse provérbio, acho que inventei agora mesmo. Mas você vai ver se esse provérbio, inventado ou não, não se aplica a pessoas que você conhece: às que querem agradar a todo o preço. Então tornam-se “encantadoras”. Procuram adivinhar os mínimos desejos dos outros. Procuram elogiar de qualquer modo. Começam também a mostrar que fazem sacrifícios a cada momento. Esse tipo encantador pesa na alma dos outros. Em uma palavra: desagrada. 

  Se a pessoa consegue ser e ficar à vontade, ela deixa os outros serem e ficarem à vontade. 


*Publicado originalmente no Diário da Noite (publicado na seção Nossa Conversa), por Ilka Soares, no dia 18 de outubro de 1960. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

jan 5

Desde remoto antiguidade, os olhos vêm servindo de tema para poemas, ensaios, provérbios, lendas etc. Os de Cleópatra (que os maquiava muito à maneira das modernas elegantes) eram tão célebres quanto o seu nariz e devem ter desempenhado também papel importante na mudança dos destinos da humanidade.  

A moda atual – insensata sob tantos aspectos – pelo menos com relação aos olhos, demonstra haver compreendida a importância deles para fazer sobressair a beleza do rosto. Com efeito, nunca houve tanto requinte na maquilagem dos olhos como agora. O seu formato é sublinhado e alongado por traços de lápis; o rímel, que até bem pouco tempo se limitava ao preto e ao marrom, hoje, pode ser encontrado nos mais variados matizes de verde, azul, violeta ou cinza; e um mostruário de “sombra” para as pálpebras faz lembrar uma paleta de pintou abstracionista.  

 

Mas não é só. Recentemente, em Paris, foram lançadas “sombras” de ouro e prata para a noite. E Josephine Baker, a famosa cançonetista e dançarina café ou lait, inaugurou a moda de colocar sobre cada pálpebra uma pequenina pedra preciosa. Desta forma, qualquer uma que queira dar-se a esse trabalho (quase de ouvires), poderá exibir um olhar cintilante.  

Quanto aos cílios postiços, outrora só usado por atrizes no palco ou na tela, o seu uso está espalhando-se cada vez mais, até para as horas do dia.  

Para os olhos serem belos, não basta, porém, que sejam grandes, de um colorido especial ou maquilados com requinte. É preciso que neles haja algo mais. Pois, sendo “os espelhosda alma”, devem refletir doçura, compreensão, inteligência.   

Em resumo, mais importante do que os olhos é – o olhar.  

*Publicado originalmente no Correio da Manhã, por Helem Palmer, no dia 02 de junho de 1960. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

  

dez 22

  A vitamina P é beneficiadora das veias e artérias, evita derrame e pressão alta. As boas fontes de vitamina P são os pimentões verdes, as frutas cítricas, principalmente casca de limão e de laranja.

  Para a preparação do extrato dessa vitamina, corte em fatias 3 limões com casca, 1 laranja com casca – e mergulhe-os em 1 litro de água. Deixe ferver por 10 minutos. Acrescente 2 colheres (de sopa) de mel, deixando no fogo para ferver mais 5 minutos. Escorra, e deixe esfriar. Tome 3 copos por dia.

*Publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares, no dia 24 de janeira de 1961. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

dez 1

Pode-se dar amor natural, comum. Pode-se ter pena da pessoa ou ser fisicamente atraída por ela, e enganar-se pensando que essa reação é amor. Mas para que o amor real exista é preciso que você admire alguma coisa nele ou nela. Theodore Reik acha que o “amor só é possível quando você atribui um valor mais alto à pessoa do que a você, quando você vê nela ou nele uma personalidade que, pelo menos em algum sentido, é superior à sua.”

*Publicado originalmente no Diário da Noite, por Ilka Soares, no dia 18 de janeirode 1961. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

nov 10

O ar e a água são os alimentos mais essenciais ao nosso organismo. Pode-se viver 30 dias ou até mais, sem nenhum alimento sólido; mas morre-se em poucos minutos de falta de ar e em poucos dias de falta de água.

Os líquidos orgânicos tem um mínimo de 90% de água e até os ossos, cujo tecido é o mais duro do organismo, contém 40% de água. Assim, como os tecidos do nosso corpo são constituídos de água, podemos dizer que nossa vida depende do equilíbrio líquido do corpo.

A capacidade que temos de fabricar água constitui um curioso fato fisiológico. Como exemplo, pode-se citar o camelo, cuja giba é composta, principalmente, de gordura. Essa giba, a Natureza não a colocou no lombo para enfeite ou para fornecer um celim natural aos que o montam. Composta em grande parte de gordura, ela serve como depósito de água para esse animal que vive no deserto. Cem quilos de giba do camelo lhe proporcionam mais de cem de água, pode-se pois dizer que o camelo faz sua reserva de água em forma de gordura.

O mesmo se dá no corpo humano. Se uma pessoa ficar um certo tempo sem comer nem beber, parte de seus tecidos se transformam em água, pois esse a obtêm, não só dos líquidos, como também dos alimentos ingeridos. Dez litros de gordura produzem, ao destruir-se, cerca de dez litros de água. Isso porque o hidrogênio da gordura toma oxigênio do sangue para formar água. E para as bebidas alcoólicas a proporção é ainda maior: de dez litros de álcool, o organismo obtém onze de água. Por isso os que bebem muito ficam gordos e balofos.

Um fonômeno interessante é que, quando se acumula gordura no organismo, o armazenamento de água que resulta é muito pequeno. Assim, quando uma pessoa come quantidade considerável de alimentos gordurosos, perde parte da água acumulada dos tecidos (desidrata-se), de maneira que, se basearmos pelo que a balança marca parece ter perdido peso. Mas, naturalmente, existe um abismo de diferença entre a perda de peso por desidratação e de peso por destruição de gordura.

 *Publicado originalmente no Correio da Manhã , por Helen Palmer, no dia 30 de novembro de 1960. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*

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